Notícia

Arcos 02 Abril 2020 Por TEAcolhe

Dia Mundial de Conscientização do Autismo e entrevista sobre como é conviver com a rotina de terapias e barreiras do autista


Compartilhe:

    Hoje é dia 02 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esta data foi estabelecida em 2007 e tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e, assim, reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica. O Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o próprio nome sinaliza, engloba distintas apresentações no quadro apresentado por seus portadores.                          

                                                          

   Sobre o TEA, apresentamos uma entrevista,com a entrevistadora, Edna Aparecida Barbosa, Pedagoga e integrante da Associação TEAcolhe, com a entrevistada com a mãe Andressa Marcelo, em que ela comenta - como é conviver com a rotina de terapias e barreiras, sobre como foi a descoberta do autismo de seu filho Enzo e como é suavidade seu dia a dia. Confira:

 

  1. E: Como foi sua reação ao descobrir que tem um filho autista?

A:No início, foi assustador, pois era algo que ainda não conhecíamos, tivemos medo sobre como seria o futuro dele, se iria sofrer algum preconceitoe se poderia ter uma vida independente. Porém, nunca tivemos vergonha em contaràs pessoas o diagnóstico do nosso filho, pois, acreditamos que a melhor forma de quebrar a barreira do preconceito é através da conscientização.

  1. E: Como você pensa que as outras pessoas veem o autismo?  E sendo mãe de uma criança autista, como você deseja que as pessoas vejam o Enzo?

 

A:Acho que as pessoas,infelizmente, ainda veem o autismo como uma doença, e que, o autista é alguém digno de pena, que éo “diferente”, que não gosta de amigos e que prefere ficar sempre sozinho. E que é alguém que não pode e não poderá ter uma vida normal. Essa rotulagem não é verdadeira,quero que as pessoas olhem para o Enzo e o enxergue como uma criança que apenas sente as coisas e o mundo de forma diferente, e que no mais, é igual a qualquer outra criança.

 

  1. E: Qual a melhor forma de lidar com o Enzo?

 

A: Acredito mesmo queo autista deve ser tratado como qualquer outra criança, com amor e disciplina, porém, com uma dose extra de paciência. Tenho outros dois filhos, um mais novo e outro mais velho que Enzo, e tento equilibrar o tratamento para não diferenciá-lo dos demais e acredito que isso o ajuda muito. Procuramos também respeitar a hipersensibilidade auditiva dele, pois a maioria dos autistas são mais sensíveis aos sons que a maioria da população. Por isso não é comum vermos uma pessoa com autismo, sobretudo crianças, tapando os ouvidos por este motivo. Ele também temcerta dificuldade em frequentarlugares novos, que não fazem parte da rotina dele, precisamos ter calma até que ele possa socializar-se ao novo ambiente e às novas pessoas.

 

  1.  E:De que forma as pessoas podem ajudar outras crianças autistas?

 

A: Não deixando de convidá-las para participarem de passeios, brincadeiras e festinhas, por mais que, na maioria das vezes, elas não queiram interagir, é importante que elas se sintam incluídas e queridas. Elas precisam de contato social, de conversas,atenção e de brincar também. Os que estão no entorno de uma criança autista, também precisam respeitar seus momentos de nervosismo ao entrarem em “crise”, pelos mais diversos motivos. Entender que não é uma simples birra, mas sim, um desarranjo mental provocado por alguma sensação, e nestes momentos eles precisam de pessoas juntas a eles com paciência e respeito ao seu espaço.

 

  1. E:De que Enzo mais gosta? Quais atividades mais lhe interessam?

 

A: O Enzo, como toda criança dessa geração, gosta muito de assistir a vídeos no celular e, também, de brincadeiras que envolvem artesanato e trabalhos manuais como pintar, montar e criar brinquedos com materiais recicláveis.

 

  1. E:Você já vivenciou alguma situação desconfortável com o Enzo?

 

A: Sim! Algumas vezes, pela sinceridade do Enzo, pois uma das característicasda pessoa autista é que ela é muito sincera e, às vezes, pode ofender sem a intenção. Aconteceu,há alguns dias, um fato - quando fomos ao dentista. Lá, havia um casal de idosos sentados na sala de espera, então ao entrarmos, o Enzo disse: “Oi, eu sou o Enzo, vocês são velhos!” Eu fiquei bem constrangida, mas, em situações assim costumo explicar às pessoas que ele é autista e, depois, explico a forma correta de tratar as pessoas, que não devemos nos referir a elas pela cor ou aparência. E que isso não é educado, geralmente, ele entende e as pessoas que estão nos observando também.

 

  1.  E:Como você lidou e lidacom as dificuldades na escola?

 

A: Eu sempre digo que sou muito grata à escola e é verdade, pois, apesar do Enzo estudar numa escola municipal, eles sempre foram muito prestativos, atenciosos e cuidadosos como Enzo. A escola sempre foi inclusiva, sempre realiza palestras e ensina os coleguinhas a conhecerem e respeitarem as diferenças. E eumantenho um bom diálogo com os professores e com a direção, assim, quando surge alguma dificuldade ou dúvida,eles prontamente me dão o suporte de que preciso.

 

  1. E:Como é seu dia a dia em casa, no trabalho e noscuidados com os filhos?

 

A: Eu trabalho em casa desde que o Enzo nasceu,assim posso trabalhar sem deixar de estar perto dele, porém é bastante corrido o dia a dia, pois Enzo tem atividades de manhã, como psicóloga e terapeuta ocupacional quase todos os dias. À tarde, encaminho meus filhos para a escola e, então, tento equilibrar as horas do dia para dar tempo de fazer tudo, pois, à noite ainda tem os deveres escolares dos meus três filhos. Meu marido me ajuda muito, tanto nos cuidados domésticos quanto com as crianças, ensinamos aos meninos a dividir as tarefas da casa e, assim, todos ajudam um pouco, até mesmo, o Enzo.

 

  1. E:Conte sua experiênciapositiva com seu filho, e como isso pode ajudar outras mães que estão passandopor problemas e dificuldades com filhos autistas?

 

A: Algo que acredito ter feito a diferença para mim é nunca ter ocultado o diagnóstico do Enzo da família e de conhecidos. Desde o seu diagnóstico, assistíamos a vídeos, filmes e a documentários que falavam sobre autismo, E assim, além de aprendermos mais sobre o assunto, entendíamos que o diagnóstico não é um limitador do que o Enzo pode ou não fazer. Ele saber também, o ajuda a entender melhor a si mesmo, porque ele se sente mal em algumas situações normais para outras crianças e,com isso, ele entende que é normal se sentir assim, e que ele, não precisa ser igual a ninguém.

 

  1. E:E para finalizarmos a entrevista, como Enzo está após o diagnóstico?Qual a mensagem você quer deixar aqui, para nossos leitores?

 

A:Quando descobrimos o autismo, o Enzo tinha três anos, não falava, não respondia quando era chamado e ainda usava fraldas, o médico disse que, provavelmente, ele iria usá-las até os 10 ou 11 anos. Hoje, quatro anos após o diagnóstico, ele fala de tudo, veste-se, toma banho e usa o banheiro sozinho. Já está aprendendo a ler e a escrever, e com a ajudadas terapias, com auxílio da APAE e da escola, esses quatro anos de tratamento fizeram toda a diferença no progresso dele. Deixo uma mensagem para os pais queobservem seus filhos, se há alguma dificuldade de aprendizado, de fala ou algum outro tipo de transtorno, procurem um profissional, façam as terapias indicadas e acima de tudo não se envergonhem. Amem muito seu filho, a inclusão começa em casa!

 

 

COMENTÁRIOS

Veja outras notícias