Um estudo realizado pela Mestra em Gerontologia Dayane Ferreira Alves e o pesquisador arcoense Dr. Rodrigo Caetano Arantes, ficou em 3º lugar no XIII Congresso Brasileiro de Alzheimer e XII Congresso Brasileiro de Neuropsiquiatria Geriátrica.
A pesquisa, intitulada “Benefícios Multidimensionais e Variabilidade de Ritmos da Dança para Idosos: Uma Revisão Sistemática”, avaliou os impactos da dança no envelhecimento e disputou o prêmio com mais de cem pesquisas. Foram cerca de mil inscrições para o evento.
O levantamento consultou bases como PubMed, Scopus e SciELO, seguindo padrões internacionais para avaliar os efeitos dos diferentes ritmos de música no dia a dia da terceira idade. Os dados confirmam que a dança melhora o físico, estimula a mente e fortalece a convivência social dos idosos.
“Foi um trabalho feito em conjunto com a Dayane. A ideia surgiu da importância da dança na vida dos idosos. Unimos essa prática à nossa trajetória de estudos sobre a velhice”, afirma Rodrigo.
Como a dança atua na saúde da pessoa idosa
A análise mostra que a dança entrega resultados além dos exercícios tradicionais. Estilos como forró e samba ajudam no equilíbrio, fortalecem as pernas e melhoram o condicionamento físico, pontos centrais para prevenir quedas. Por sua vez, a dança sênior atua de forma mais direta na atenção e na memória.
Ma. Dayane Alves, doutoranda pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que seu interesse pelo tema partiu da riqueza de estímulos que a atividade proporciona:
“O interesse surgiu justamente porque a dança é uma atividade muito rica para pensarmos o envelhecimento, pois reúne movimento, estímulos cognitivos, memória, ritmo, interação social, expressão e aspectos culturais”, pontua a pesquisadora.

Segundo a doutoranda, a diversidade de ritmos encontrada nos estudos revela que a dança pode ser adaptada ao contexto e às preferências de cada pessoa:
“Quando pensamos inicialmente em dança, é comum relacioná-la principalmente à atividade física. Entretanto, os estudos mostraram resultados que ultrapassam essa dimensão. Encontramos benefícios relacionados não apenas à capacidade física, mas também à cognição e, especialmente em alguns estudos, à memória”, detalha a Ma. Dayane.
Além dos efeitos sobre a memória, a revisão apontou redução de sintomas depressivos e menor isolamento social entre os praticantes. Em quadros de demência, como a Doença de Alzheimer, os ritmos musicais conhecidos ajudam a despertar lembranças e conexões afetivas que pareciam esquecidas.
Orientação técnica e relevância para Arcos
O direcionamento metodológico do trabalho contou com a orientação do Dr. Rodrigo Caetano Arantes, fisioterapeuta e doutor em Demografia com especialização em Gerontologia. Ele também foi presidente do Conselho Estadual do Idoso de Minas Gerais.
Ma. Dayane destaca que o acompanhamento técnico foi essencial para garantir a precisão da revisão:
“A orientação de um pesquisador experiente contribui em diferentes momentos, desde a definição da pergunta de pesquisa e dos critérios metodológicos até a interpretação dos resultados. As discussões e trocas ao longo do estudo contribuíram muito para o rigor científico da pesquisa”, ressalta a autora.
Para Rodrigo Caetano, ver um trabalho de relevância social receber destaque em um congresso desse porte representa um avanço importante para a gerontologia e traz visibilidade para a comunidade arcoense:
“Foram 100 trabalhos submetidos e conquistamos o 3º lugar. Isso me deixou extremamente feliz e é um sinal de reconhecimento nacional pelo nosso trabalho. É uma notícia muito boa, a meu ver, também para a cidade de Arcos, como arcoense que sou”, comenta.
O pesquisador também utiliza o resultado da pesquisa para alertar sobre a necessidade de estruturação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento populacional em nível municipal:
“Esses achados nos mostram que é muito importante que políticos estejam atentos para políticas públicas de lazer para pessoas idosas: centros de convivência, programa de cuidadores nas Unidades Básicas de Saúde e profissionais com formação em Gerontologia. Arcos ainda não tem um centro público especializado na pessoa idosa, seja de atendimento à saúde, social ou psicológico”, aponta Rodrigo.

Perspectivas futuras e mensagem à comunidade
A conquista nacional marca uma das etapas do projeto. A intenção dos autores é submeter o artigo para publicação em um periódico científico internacional de alto impacto. Além de viabilizar parcerias para transformar as evidências teóricas em intervenções práticas com grupos de idosos.
Ao refletir sobre o reconhecimento no evento, Ma. Dayane reforça a motivação para dar sequência aos estudos acadêmicos:
“Conquistar o terceiro lugar em um congresso nacional tão importante foi muito especial, principalmente porque por trás de uma apresentação existem muitas horas de estudo, análise e discussão. Vemos essa conquista como um reconhecimento da relevância do tema e um incentivo para continuar produzindo ciência que se aproxime da vida das pessoas”, afirma a fisioterapeuta.
Para finalizar, Rodrigo Caetano reforça como a prática simples e acessível da dança impacta a rotina de quem envelhece:
“Deixo a mensagem do velho ditado: ‘quem dança os males espanta’. As pessoas idosas precisam dançar, mexer o esqueleto. A alegria e o modo de levar a vida são fatores fundamentais para um envelhecimento vivido com bem-estar e qualidade de vida”, concluiu o pesquisador reforçando que a dança pode e deve fazer parte do dia a dia de quem envelhece.