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Álbuns da Copa mantêm viva a paixão dos colecionadores em Arcos

Reviver a emoção de uma Copa do Mundo é um ritual que passa de mãos em mãos há trinta anos. Entre figurinhas raras e repetidas, a tradição renova o sentimento de torcida na cidade.

Quando o assunto é Copa do Mundo, a febre não se mede apenas pelo desempenho da seleção em campo ou pela expectativa dos gols. Em Arcos, a tradição tem endereço certo há três décadas: a Revista & Cia. A cada ciclo de quatro anos, o movimento na loja ganha um ritmo diferente, transformando o espaço em um ponto de encontro vibrante onde o tempo parece passar mais devagar, centrado na busca pela figurinha que falta.

Para Nilcéia e Arisson, os proprietários que acompanham esse fenômeno de perto, o álbum vai muito além de uma simples estratégia comercial. Eles observam, na prática, como o objeto de papel e cola exerce um papel social singular. Como eles definem: “É uma tradição, que permanece viva e passa de geração para geração. Se tornou um momento de interação entre pais e filhos, avós e netos, muito aguardado pelos colecionadores”.

Não é raro ver a calçada em frente à loja tomada por colecionadores nos finais de semana. Entre crianças, jovens e adultos, o clima é de negociação e camaradagem. Ali, o valor de um cromo repetido não é medido em dinheiro, mas na possibilidade de completar uma página difícil ou finalmente fechar a coleção. O ritual das trocas, que se repete há 30 anos no estabelecimento, é o que garante que a cultura do álbum físico continue resistindo aos tempos digitais, criando memórias que, muitas vezes, duram mais que o próprio torneio de futebol.

O ponto de encontro muda, a paixão permanece

A movimentação que hoje toma conta da Revista & Cia é o capítulo mais recente de uma tradição que moldou a infância de diferentes gerações de brasileiros. Muito antes dos modernos álbuns de capa dura e dos encontros organizados em praças ou comércios, a febre dos cromos de futebol acontecia diretamente nos balcões dos armazéns, padarias e vendas de bairro.

Na década de 1950, o país parou para a primeira Copa do Mundo sediada no Brasil e, com ela, nasceu o pioneiro álbum "Balas Futebol". Naquela época, o pacotinho de figurinhas como conhecemos hoje não existia: as imagens dos craques vinham coladas no próprio papel que embrulhava os doces. As balas, puramente feitas de açúcar, eram frequentemente descartadas pelas crianças, que compravam os doces unicamente pelo desejo de colar os atletas da Seleção Brasileira no papel.

Esse fenômeno se consolidou entre os anos 1970 e 1990. Foi em 1970 que a Panini lançou, para a Copa do México, o seu primeiro álbum oficial, que virou um marco ao imortalizar o tricampeonato de Pelé e se tornar um verdadeiro tesouro para os fãs. Pouco depois, em 1982, o sucesso da febre atingiu um novo patamar com figurinhas que vinham em chicletes, fazendo com que as calçadas das escolas virassem "bolsas de valores" infantis onde se negociavam os craques da época.

Hoje, a escala dessa paixão atingiu patamares industriais: em 2026, a produção diária de cromos gira em torno de 11 milhões de unidades para atender à demanda global, provando que o desejo de colecionar segue em plena expansão. O cenário mudou e o mercado se profissionalizou, mas a essência que move os colecionadores na Revista & Cia continua exatamente a mesma de 70 anos atrás: a busca pelo último cromo que falta para completar a história.

A resistência desse hábito de colecionar reflete uma tendência observada também no mercado literário. Mesmo com o avanço do digital, o livro físico mantém seu espaço: a experiência sensorial de folhear páginas, sentir o aroma do papel e o diálogo presencial nas livrarias continuam sendo diferenciais insubstituíveis. Com editoras investindo cada vez mais em títulos infanto-juvenis de alto apelo visual, o setor segue vivo e renovado, atendendo tanto a quem busca pronta-entrega quanto a quem prefere encomendas específicas de títulos que formam novas gerações de leitores.

Arisson reforça para quem deseja conferir as novidades literárias ou o catálogo da loja, o contato pode ser feito pelo Instagram @livrariarevistaecia ou pelo WhatsApp (37) 3351-2647.

Fontes de referência: ESPN, Band.com.br, BBC News Brasil e CNN Brasil Esportes.

 

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