storage/ads_banner/2104/1769434708-1025-x-120jpg.jpeg

Do silêncio da luta ao amparo da família: quem é João Lucas dentro e fora do tatame

O jovem arcoense encontrou no Jiu-Jitsu um caminho que une devoção e disciplina extrema. Sua rotina revela um atleta guiado por propósito e movido por resultados consistentes.

Dizem que no Jiu-Jitsu você não escolhe a arte; ela te escolhe. Para o arcoense João Lucas, de 22 anos, a explicação é ainda mais profunda: foi um encontro divino. O que começou com uma caminhada despretensiosa ao lado da mãe em frente a uma academia transformou-se em uma missão de vida que ultrapassa os limites físicos do tatame. Enquanto outros jovens viam no esporte um passatempo ou uma brincadeira, João já encarava cada técnica com o olhar de quem decifra um propósito.

 João e a mãe, Leidilene

João e a mãe, Leidilene

“Sinto que minha missão está sendo feita aqui na Terra”, revela o atleta. E essa jornada, embora espiritual, é pavimentada com o suor da realidade. As dificuldades financeiras do início, comuns a tantos campeões brasileiros, nunca foram motivo para retroceder. Pelo contrário, ensinaram ao jovem lutador a virtude mais rara dos nossos tempos: a paciência. Para ele, desistir não é uma opção, é uma quebra de honra perante a família que o sustenta emocionalmente.

Uma trajetória blindada por resultados

Aos 22 anos, os números de João Lucas impressionam e mostram que sua "obsessão" pelo treino dá frutos: o atleta já soma quase 50 competições no currículo, acumulando praticamente o mesmo número em títulos conquistados. Sua consistência é notável, sendo presença garantida nos pódios da capital mineira e região metropolitana.

Entre suas maiores glórias, destacam-se as performances em solo paulista pela CBJJE, onde conquistou o vice-campeonato Pan-Americano e a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro. Além disso, João é um nome dominante nos circuitos regionais, colecionando resultados expressivos em organizações de prestígio como o BJJ Storm e a JJFA, reafirmando sua técnica refinada em cada nova disputa.

A mente de um predador resiliente

Quando o clima da competição aperta e o silêncio que antecede a luta se instala, um filme passa na cabeça de João Lucas. Mas não é um registro de nostalgia; é um processo de decisão. Através de técnicas de respiração e um psicológico blindado, ele mantém a chama acesa sem se deixar cegar pelo oponente. “Foco no meu plano, no meu jogo. Quando faço isso, as coisas fluem”, explica.

Essa mentalidade evoluiu com o tempo. Se antes o jogo era de observação, hoje a tônica é a ofensividade. Tornar-se objetivo e buscar a finalização rápida foi a grande virada de chave para o mineiro, um aprendizado colhido tanto no brilho das medalhas quanto no amargor das derrotas — que ele confessa, com a honestidade de um competidor nato, ainda ter dificuldade em aceitar.

Heróis de sangue e de alma

Fora dos holofotes e do quimono pesado, João Lucas é a definição da simplicidade. Divide o tempo entre os treinos exaustivos e momentos de calmaria: um videogame, o futebol na TV, o UFC e a leitura. A família é o seu porto seguro e o motor que acelera sua vontade de vencer. Enquanto a mãe prefere não assistir às lutas para poupar o coração da ansiedade, o irmão Pedro — também atleta e parceiro de graduação — é quem vibra em sintonia fina com cada movimento.

Suas referências no esporte são gigantes como Roger Gracie e Leandro Lo, mas sua bússola moral aponta para dois nomes: Jesus, seu maior ídolo, e o mestre Léo Boyka. É neles que o jovem de 22 anos busca a humildade e a resiliência para ser, como ele mesmo diz, “melhor a cada dia no propósito que Deus tem para mim”.

Mais que luta, caráter

Para João, o Jiu-Jitsu é uma ferramenta de transformação social. No tatame, onde todos são iguais, aprende-se a disciplina e o respeito que devem transbordar para a vida nas ruas. A arte suave não é sobre brigar, mas sobre ter a autoconfiança necessária para se posicionar na sociedade com a cabeça erguida. É, acima de tudo, um refúgio da hiperconectividade moderna: “Um momento de olhar no olho, de ajudar o outro. Um ambiente sem internet, focado apenas na evolução”.

O futuro escrito com suor

Ao ser questionado sobre o seu talento, ele responde com a firmeza de quem conhece o próprio esforço: “Eu não acredito tanto em talento. Acredito em vontade, dedicação e obsessão”. É com essa "fome" que João Lucas mira os maiores palcos do mundo. O foco imediato está nas competições do calendário anual, mas os olhos brilham ao falar do brasileiro da CBJJ e, principalmente, do Mundial.

Como ele quer ser lembrado? A resposta é curta e pode ser anotada, pois ele garante que vai cumprir: "Como o atleta mais dedicado e o que mais ganhou títulos".

No que depender da fé e da dedicação deste jovem de Arcos, o topo do pódio é apenas uma questão de tempo.

Veja também:

Pesquisar

LGPD

Usamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Ao continuar a usar nosso site, você aceita o nosso uso de cookies.
Política de Privacidade, e Termos de Uso.