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Abertura de empresas cresce em Arcos, mas cenário nacional pede cautela

Arcos registrou 1.335 novos negócios até novembro de 2025. Apesar do fôlego empreendedor, a rotatividade de empresas e as projeções do Ipea indicam que a prudência fiscal será essencial para manter a competitividade da "capital do calcário" em 2026.

Impulsionada pelo vigor dos setores mineral e industrial, a economia de Arcos demonstra forte resiliência ao longo de 2025. Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) reforçam que o eixo formado por Arcos, Pains e Córrego Fundo concentra uma das atividades industriais mais expressivas de Minas Gerais, focada na extração e calcinação de calcário. Essa vocação regional consolida o município como peça-chave no mapa produtivo mineiro.

PIB de destaque e o diferencial competitivo

O reflexo dessa solidez aparece nos números do IBGE: Arcos ostenta um PIB per capita de R$ 73.837, um patamar que deixa para trás a média nacional de R$ 53.886,67. Esse resultado econômico superior é fruto direto da presença histórica das indústrias e mineradoras na cidade, que seguem sustentando a geração de riqueza local e reafirmando Arcos como o coração da atividade calcária no estado.

Mercado de trabalho e produtividade tecnológica

Dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, confirmam o vigor do mercado local: até novembro de 2025, Arcos registrou 8.110 admissões e 7.594 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 516 novos postos de trabalho e elevando o estoque total para 14.565 empregos formais ativos. Especialistas do FGV IBRE, em seus Boletins Macro, sugerem que o equilíbrio dessa movimentação é uma tendência em polos industriais. O aumento dos custos operacionais (insumos e energia) tem levado as empresas a priorizarem a produtividade tecnológica e a demanda por mão de obra com alta especialização técnica, otimizando o ritmo de contratações em massa.

Dinamismo empreendedor e o Mapa de Empresas

O empreendedorismo local demonstra fôlego conforme os registros do Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo. Até novembro de 2025, foram abertas 1.335 novas empresas no município. No entanto, o painel revela uma alta na rotatividade empresarial, com 736 baixas no mesmo período. Segundo estudos do Sebrae sobre sobrevivência empresarial, micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis em períodos de transição tributária, devido à maior sensibilidade ao crédito e aos custos de adaptação às novas regras fiscais.

Planejamento fiscal e perspectivas para 2026

Apesar da robustez, o município mantém estado de vigilância. Por possuir forte atividade mineradora, Arcos é beneficiária direta da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). Contudo, relatórios de Gestão Fiscal da Prefeitura Municipal, alinhados às análises do Ipea sobre arrecadação e incertezas fiscais, indicam que municípios dependentes de recursos minerais devem manter prudência, dado o cenário de instabilidade nas políticas fiscais federais previstas para o próximo biênio.

A expectativa para 2026 permanece moderadamente positiva. O sucesso contínuo de Arcos dependerá da capacidade de integrar a força mineral à inovação, garantindo que a cidade permaneça competitiva em um mercado nacional em constante transformação.

 

Fontes de pesquisa:

IBGE - Produto Interno Bruto dos Municípios, Ministério do Trabalho e Emprego - Novo Caged, Ministério do Empreendedorismo - Mapa de Empresas, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), Agência Nacional de Mineração (ANM), FGV IBRE - Boletins Macro, Ipea – Boletins de Conjuntura Fiscal e Macroeconômica, Sebrae - Estudos de Sobrevivência Empresarial, Prefeitura Municipal de Arcos - Relatórios de Gestão Fiscal.

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