Quando se fala de violência, as pessoas costumam ligar a expressão à agressão física. Mas a verdade é que essa palavra carrega vários sentidos. E milhares de mulheres vivenciam essa realidade diariamente, muitas vezes sem conseguir romper o ciclo justamente por não saberem identificar que também estão sendo violentadas.
A violência psicológica é uma das formas mais comuns de agressão, mas a menos denunciada. Ela não deixa marcas visíveis na pele, fere a alma. O perigo mora onde o abusador percebe que sabe sustentar uma máscara social e se sente confiante o bastante para aumentar o nível das agressões.
O retrato da violência no Brasil
Em uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado em novembro de 2025, 88% das mulheres que declararam ter sofrido algum tipo de violência, relatam ter sido vítimas de abuso emocional ou psicológico.
O dado comprova que 9 em cada 10 vítimas passam por episódios de humilhação, controle ou chantagem. Isso confirma que o abuso raramente começa com uma agressão física.
Aos poucos a mulher vai perdendo a liberdade de se relacionar com a sua individualidade e com o mundo. Roupas jogadas fora, maquiagens e comportamentos são alterados. Quando a mulher se vê no espelho, ela já não se reconhece mais. Sobra uma sombra daquilo que foi um dia. Amigos, hobbies e até a própria família se tornam inalcançáveis quando as pílulas de manipulação diárias começam a fazer efeito.
A dimensão é assustadora! Foram ouvidas 21.641 mulheres brasileiras. 27% dessas mulheres declararam que já sofreram violência doméstica ao longo da vida. Isso remete a uma estimativa de mais de 23,6 milhões de vítimas no país.
Reconhecer é o primeiro passo para romper o ciclo
A violência psicológica é crime previsto no Artigo 147-B do Código Penal. Humilhar, isolar, chantagear, controlar os passos da mulher ou fazê-la duvidar da própria sanidade não são “problemas de casal”; são abusos e precisam ser tratados como tal.
Romper esse ciclo não é fácil, mas a mulher não precisa passar por isso sozinha. O Brasil conta com uma rede de atendimento para orientar e acolher as vítimas em sigilo:
▪ Ligue 180! É gratuito, disponível 24h por dia e o contato é anônimo.
▪Nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) você pode obter orientação e fazer o registro de ocorrência.
▪Centros de Referência de Assistência Social (CRAS/CREAS) e serviços de atendimento psicológico são as maiores redes de apoio local.
“Em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim!”
Atenção aos sinais! Saber identificar e dar nome ao abuso pode devolver a liberdade e a dignidade a milhares de brasileiras. Se você ou alguém que você conhece está passando por qualquer tipo de violência, peça ajuda.