Arcos começou o ano com um alerta preocupante vindo do setor de saúde. Entre os dias 12 e 16 de janeiro, o primeiro LIRAa de 2026 registrou que o índice de infestação na cidade chegou a 5,8%. Na prática, esse resultado enquadra o município na zona de 'Alto Risco' para doenças como dengue, zika e chikungunya, seguindo os parâmetros oficiais da Secretaria de Estado de Saúde.
Os dados, enviados ao coordenador municipal de endemias, Geraldo Moura, detalham uma realidade preocupante: o Índice de Breteau chegou a 7,5, o que indica a presença de cerca de oito recipientes com larvas para cada 100 casas pesquisadas. A classificação por setores mostra que a infestação não é uniforme, mas grave: três estratos da cidade estão em alto risco, um em médio e dois em baixo risco.
Onde mora o perigo
Diferente do que muitos imaginam, o maior vilão não está apenas no lixo descartado nas ruas. Segundo o relatório assinado pelo técnico Magno Luiz dos Santos, a maior concentração de focos (34,9%) foi detectada nos chamados "depósitos do tipo B", que incluem vasos de plantas, bebedouros de animais, objetos religiosos e bandejas de degelo de geladeiras.
Logo em seguida, com 21,7%, aparecem as calhas, ralos, tanques em obras e piscinas desativadas. O documento ressalta que esses recipientes são de difícil remoção, o que exige que o morador esteja constantemente atento para evitar o acúmulo de água. O descarte irregular de lixo, pneus e sucatas completa o mapa de riscos, somando cerca de 35% das larvas encontradas.
Comparativo: uma oscilação perigosa
Ao confrontar os números atuais com os registros oficiais do município e do Portal Arcos, percebe-se que a cidade luta para manter o controle. No mesmo período do ano passado (janeiro de 2025), Arcos vivia um momento crítico com 9,9% de infestação. Ao final de 2025, em outubro, o índice havia caído para 4,7%.
Embora o dado atual de 5,8% seja menor do que o registrado há um ano, ele representa um aumento em relação ao último trimestre de 2025. Esse crescimento confirma que as chuvas de verão e as altas temperaturas aceleraram novamente a reprodução do mosquito, exigindo resposta rápida.
Medidas e convocação
A Secretaria de Estado recomenda que a prefeitura intensifique os mutirões de limpeza, especialmente para a retirada de pneus e entulhos, e realize o tratamento focal onde a remoção de água não é possível.
A principal orientação, no entanto, foca na corresponsabilidade. A orientação é que a população não espere apenas pelo agente de endemias. Como a maioria dos focos está em objetos de uso cotidiano (bebedouros e pratinhos), o cuidado semanal dentro de casa é a única forma de evitar uma epidemia.
Coordenação de Endemias define estratégias
O coordenador municipal de endemias, Geraldo Moura, destacou que os dados já foram consolidados e avaliados tanto pela equipe local quanto pela Regional de Saúde de Divinópolis. Segundo Moura, o diagnóstico atual é fundamental para direcionar as atividades do dia a dia e definir o caminho que a saúde municipal deve seguir para conter o avanço do mosquito.
Geraldo reforçou que o combate à dengue em Arcos não é uma ação isolada, mas um esforço que envolve diferentes frentes. “Temos situações que cabem a outras secretarias, questões que compreendem a comunicação e ações que se referem especificamente às nossas atividades de campo”, pontuou o coordenador. Ele fez um apelo direto à comunidade: “Precisamos do apoio de cada um de vocês”.
Como denunciar
A recomendação oficial é que a população realize vistorias semanais em seus quintais. Para dúvidas ou denúncias de focos, a coordenação atende na Rua Augusto Lara, 383, ou pelo telefone/WhatsApp (37) 3351-7133.
Fontes: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (NUVEPI/SRS-DIV), Prefeitura de Arcos e Coordenação Municipal de Endemias (Geraldo Moura).