O mundo digital está mais presente no dia a dia das pessoas idosas do que nunca. Mas até que ponto essa interação é segura? Recentemente, um caso envolvendo o influenciador José Fernandes, conhecido como o “galã do TikTok”, acendeu um alerta entre famílias e profissionais de saúde.
O caso que chamou a atenção
José Fernandes começou a publicar vídeos no TikTok em que fala diretamente para a câmera, usando frases românticas como “você sabe o quanto é especial para mim” e “só penso em você”. Essa abordagem, que para muitos parece apenas entretenimento, acabou levando diversas mulheres idosas a acreditarem que ele estava falando pessoalmente com elas.
O caso tomou proporções ainda maiores quando golpistas passaram a se passar por José em perfis falsos, entrando em contato com essas fãs e pedindo dinheiro sob pretextos diversos. Resultado: muitas famílias precisaram intervir, e algumas seguidoras sofreram prejuízos financeiros e emocionais.
Por que isso acontece?
À medida que o envelhecimento avança, a busca por conexão humana se torna ainda mais importante. Se a pessoa idosa já se sente sozinha, a atenção que recebe nas redes pode se tornar um ponto de afeto significativo, mesmo que virtual. Para quem tem menor familiaridade com o mundo digital, pode ser difícil diferenciar um vídeo público de uma conversa real.
Além disso, alterações cognitivas naturais do envelhecimento podem afetar o discernimento, tornando o idoso mais vulnerável a golpes e interações manipuladoras.
Redes sociais: vilãs ou aliadas?
É importante deixar claro que não devemos afastar os idosos das redes sociais. Estudos mostram que o uso consciente dessas ferramentas pode:
• Estimular a memória e o raciocínio
• Combater a solidão
• Aproximar familiares e amigos distantes
• Trazer sensação de pertencimento a grupos e comunidades
O segredo está no equilíbrio e na orientação familiar.
Minhas Orientações
Como médica da geriatria, recebo cada vez mais famílias com dúvidas como: “O que eu faço para proteger meus pais ou avós no mundo digital?”.
Aqui vão cinco sugestões práticas:
1. Converse abertamente sobre o que eles veem nas redes. Pergunte com interesse: “Que vídeos você tem assistido?” ou “Tem algum influenciador que você gosta?”. Assim, é possível criar espaço para orientação sem julgamentos.
2. Explique a diferença entre vídeos e conversas reais. Muitos idosos não sabem que no TikTok os vídeos são gravados e enviados para todos, e não direcionados a uma única pessoa.
3. Ative configurações de segurança. Auxilie na configuração de contas privadas e no bloqueio de mensagens de desconhecidos.
4. Seja a ponte com o mundo digital. Oriente sobre o perigo de enviar fotos, dados ou dinheiro a quem não conhece pessoalmente.
5. Incentive outras formas de interação. Participação em grupos presenciais, atividades na comunidade e chamadas de vídeo com familiares podem reduzir a busca por conexão emocional nas redes.
Para refletir
O caso de José Fernandes é um exemplo de como as redes sociais podem ser tanto uma fonte de benefícios quanto de riscos para a população idosa. É um convite para refletirmos: como garantir que o envelhecimento digital seja saudável, sem isolamento e sem exposição a golpes?
As telas podem ser portas de entrada para um universo de conhecimento e amizades. Mas é essencial que a família acompanhe esse processo, orientando e apoiando com carinho.
Fica o alerta
Se você tem um familiar idoso ativo nas redes, aproveite para se aproximar, conversar e entender melhor o que ele consome online. O problema não está nas telas, mas no uso sem orientação.
“Cuidar do idoso também é cuidar do seu mundo digital. Informação e diálogo são as melhores ferramentas para proteger quem a gente ama.”
— Dra. Ylmara Chicri, médica, saúde do idoso e envelhecimento. Atende na Ciclo Saúde Integrada
(37) 99928-5555.