• 25/05/2024
13 Junho 2023 às 19h29

Terapia da Caridade

Vivemos um momento peculiar na humanidade, onde o individualismo ganhou proporções exacerbadas; onde as pessoas buscam ter mais e mais para satisfazer seus interesses pessoais, retratando o sentimento de que “você tem que ser uma pessoa de sucesso”. O resultado é uma sociedade que vive mergulhada em um dos piores sentimentos, que atrasa o ritmo de evolução do planeta, que é o egoísmo. E qual é o sentimento contrário ao egoísmo, que nos faz romper essas amarras que nos atrasam a evolução e nos impulsiona ao crescimento? Certamente, é o amor!

 

E a caridade, posta como o “amor em ação”, é a ferramenta da qual dispomos para a prática efetiva do bem. O mestre Jesus, na parábola do bom samaritano, nos mostrou como agir perante o próximo.  E que ao ser questionado de quem seria o próximo que ele havia nos indicado como o segundo mandamento, nos ensina que, não importa títulos terrenos e nem rótulos sociais, visto que todos aqueles que são considerados pessoas de bem sequer se preocuparam com o indivíduo que estava à beira da morte; enquanto o samaritano, considerado pessoa de má índole, foi o único que o socorreu, limpou as feridas e o levou até uma hospedaria, para que continuassem a cuidar daquele irmão necessitado.[1]

 

Na questão 886 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos: “Qual é o sentido da caridade, tal como entendia Jesus?” Tendo como resposta: “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”.[2]

 

A benevolência para com todos nos indica que devemos ser verdadeiramente bons para com todo mundo e não somente com aqueles que nos são queridos.

 

Sobre a indulgência, o espírito José, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, nos diz que:

 

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. ao contrário, oculta-os, a fim de que não sejam conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, uma escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção. (...) Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.[3]

 

Sobre o perdão, também em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito Júlio Olivier nos diz que:

(...) a vingança constitui indício certo do estado de atraso dos homens que a ela se dão, e dos Espíritos que ainda as inspirem. Portanto, meus amigos, nunca esse sentimento deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e proclame espírita. Vingar-se é, bem o sabeis, tão contrário àquela prescrição do Cristo: “Perdoai aos vossos inimigos”, que aquele que se recusa a perdoar não somente não é espírita como também não é cristão. [4]

 

Essas duras palavras do amigo espiritual, nos faz refletir se estamos realmente seguindo os ensinamentos do mestre Jesus, para podermos efetivamente nos intitular como cristãos. O perdão faz parte das nossas atitudes? Está sendo feito de coração ou somente de palavras?

 

E para finalizar, acerca da caridade material, Kardec pergunta aos espíritos na questão 888 de O Livro dos Espíritos, acerca da esmola, ao que eles respondem que:

 

O homem reduzido a pedir esmola se degrada moral e fisicamente: ele se embrutece. Numa sociedade baseada sobre a lei de Deus e a justiça, deve-se prover a vida do fraco sem humilhação para ele. Ela deve assegurar a existência daqueles que não podem trabalhar, sem deixar sua vida à mercê do acaso e da boa vontade.

(...) não é a esmola que é reprovável, frequentemente, é a maneira pela qual é feita. O homem de bem, que compreende a caridade segundo Jesus, antecipa-se ao infeliz sem esperar que ele lhe estenda a mão. A verdadeira caridade é sempre boa e benevolente; ela está mais no gesto que no fato. Um serviço feito com delicadeza duplica de valor; se é feito com ostentação, a necessidade pode fazê-lo aceitar, mas o coração não é tocado por ele.[5]

 

Portanto meus amigos, sigamos os ensinamentos do mestre Jesus, para que a cada dia possamos construir uma sociedade mais fraterna, momento esse que a Terra terá alcançado outro patamar evolutivo, onde o bem prevalecerá.

 

Abraços fraternos a todos e uma ótima semana!

Éverton Silva

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Referências:

  1. LUCAS, X, 30-37
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capítulo XI, questão 886.
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. X, item 16, pág. 195-196.
  4. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. XII, item 8, pág. 223-224.
  5. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capítulo XI, questão 888.

Fonte da imagem: Disponível em https://pixabay.com/pt/users/niekverlaan-80788/?utm_source=link-attribution&utm_medium=referral&utm_campaign=image&utm_content=427297

 

 

 

 

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