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Arcos 05 Dezembro 2019 Por TEAcolhe

“Não há inclusão verdadeira sem saber especializado”


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   No último sábado (30), a Associação de Apoio ao Pais e Familiares da Pessoa com Autismo – TEAcolhe -  esteve em Belo Horizonte na  Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), juntamente com uma comitiva organizada pela associação, formada por mães de autistas, familiares, psicólogos, professores, demais agentes educacionais e interessados pelo tema (autismo). Na oportunidade, participamos do curso “Alfabetização de Alunos com Autismo”, ministrado pela Psicopedagoga Clínica e Institucional, Michele Joia.

 

    A Educadora tem um vasto currículo na área da inclusão e autismo: é educadora especial, especialista em autismo, qualificada em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), professora e orientadora de pós-graduação na área de educação inclusiva, palestrante na área de saúde e educação, supervisora de estágios em psicopedagogia, atua em consultório com crianças com dificuldades especiais desde o ano de 2010, autora do Livro: Inclusão de crianças em escola particular, gestora da Criar Recriar – Prevenção e Promoção de Saúde na Educação.

 

    Aos presentes, a professora ministrou sua aula com propriedade, baseando-se em teorias estudadas e em sua vivência como educadora especial,  abordando vários aspectos educacionais do autismo, como o processo de leitura,  funções executivas,  adaptações curriculares, apoio à alfabetização, materiais diversos que auxiliam na prática entre outros.

 

   Quando se fala em inclusão, a formação dos professores é um aspecto que requer atenção. Não é difícil encontrar professores experientes que alegam não estarem preparados para a inclusão. Por sua vez, os recém-formados já chegam à escola sabendo que podem trabalhar  com alunos com necessidades educacionais diferenciadas, mas, não mais preparados, devido  às falhas dos cursos de licenciaturas em abordar disciplinas voltadas à inclusão, aprofundamento teórico e prática. Com isso, a insegurança reina na escola, e as falas são as mesmas: “Não fui preparado para lidar com alunos com deficiência” ou “não sei como fazer inclusão e adaptar atividades”.

 

   Mas, os professores estão realmente buscando preparar-se para receber alunos com deficiência em sua sala de aula?

 

  Desde o surgimento da Associação TEAcolhe, em 2018, temos focado em cursos, palestras e encontros com os quais os profissionais da educação possam se aperfeiçoar para de fato exercer o direito desses indivíduos de estarem incluídos na rede regular de ensino com uma educação de qualidade, conforme direito assegurado em nossa constituição. Contudo, é baixa a procura dos profissionais da educação  a cursos e momentos de estudos conduzidos pela associação. Percebe-se que hoje o  direito à inclusão não tem sido respeitado, visto que a capacitação e a formação dos professores para receberem alunos com deficiência em sua sala de aula é quase inexistente, salvo exceções.

 

  “Você vai esperar o aluno com autismo bater à porta de sua sala para procurar conhecimento?”

 

   É preciso lembrar que esses indivíduos não estão sozinhos com seus professores na escola. A capacitação deve ser de toda a equipe educacional, da cantineira ao diretor educacional. As escolas precisam assumir o seu papel “inclusivo”, oferecendo informações, cursos e momentos, em que todos os funcionários possam conhecer os alunos que lá frequentam e aprender sobre  inclusão. Com esses estudos e capacitações de funcionários, a escola estará cumprindo seu dever constitucional, favorecendo a ideia de estabelecimento inclusivo.

 

   A TEAcolhe continuará cumprindo seu papel social de promover momentos de aprendizado acerca do autismo, inclusão escolar e social, sejam eles em nossa cidade, na Capital, ou em qualquer outro Estado. Mesmo com os avanços da inclusão em nosso município, ainda há muito o que fazer. A capacitação adequada de professores é o primeiro passo, caberá a nós, professores, buscarmos aperfeiçoamento.

 

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