• 02/03/2024
16 Janeiro 2024 às 16h43

Cremação na visão espírita

Esse tema geralmente causa bastante dúvida entre espíritas e/ou simpatizantes da doutrina. Desta forma, visando esclarecer sobre o assunto vamos abordar essa temática, baseando nas informações encontradas em algumas obras espíritas.

            Partindo do momento em que acontece o desencarne, ao retornarmos ao plano espiritual percebemos que nosso espírito ainda vive e o que cessa é a vida do corpo físico, que é o veículo de manifestação do espírito aqui na Terra enquanto encarnados.

Mas para onde vamos após a morte do corpo? Segundo o codificador Allan Kardec em o livro O céu e o Inferno (1), diz que o destino do espírito segue o seu estado de consciência. Portanto, o lugar para onde vamos, depende da forma em que vivíamos aqui na Terra, usando um exemplo, vai depender do que carregamos em nossa bagagem, o que fizemos de bom ou de ruim enquanto aqui estivemos.

            É importante entender que nosso corpo é ligado ao espírito através de um envoltório fluídico, no qual chamamos de perispírito. No momento do desencarne esse desligamento acontece aos poucos, assim cessando devagar o fluido vital que é o responsável por manter a alimentação da vida material do nosso corpo, desprendendo do corpo, mas permanecendo ligado ao envoltório espiritual.

Determinados Espíritos, como sabemos, permanecem por algum tempo imantados ao corpo material após o transe da morte, como acontece principalmente com os suicidas. O desatamento do cordão fluídico nem sempre se consuma num curto espaço de tempo. Nessas condições, o desencarnado é como se fosse um morto-vivo cuja percepção sensória, para sua desventura, continuaria presente e atuante. A cremação viria causar-lhe um angustiante trauma, o que implicaria "aumentar a aflição ao aflito". (2)

 

            A cremação(3) é uma prática que surgiu a milhares de anos, sendo muito utilizada pelas civilizações romanas e gregas, pois eles consideravam uma maneira nobre de se despedir de seus corpos. O processo de cremação consiste em reduzir o cadáver às cinzas, expondo-o a altas temperaturas, para isso o corpo passa por toda uma preparação. Após a cerimônia de despedida/velório, o corpo é levado para ser preparado para cremação. É retirado roupas e adornos, e em seguida o corpo é levado para uma câmara fria, pois é necessário aguardar um período de 24 horas estipulado, pelas normas reguladoras, antes da incineração, para que posteriormente as cinzas sejam entregues aos familiares. 

Partindo para informações do meio espírita, em um programa de TV, o famoso Pinga Fogo no ano de 1971, Chico Xavier em resposta a uma pergunta feita sobre este assunto, responde segundo o Espírito Emmanuel:

Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio.(4)

            Algum tempo depois o Irmão X – pseudônimo utilizado pelo Espírito de Humberto de Campos – examinou o tema na mensagem intitulada “O problema da cremação”, psicografada por Chico Xavier e publicada no livro Escultores de Almas, lançado em 1987.  Eis um trecho dessa obra:

Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefícios do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido à cinza com a carne ainda quente?

Sabemos que há cadáveres dos quais, enquanto na Terra, estimaríamos a urgente separação, entretanto, que mal poderá trazer aos vivos o defunto inofensivo, sem qualquer personalidade nos cartórios?

Não seria justo conferir pelo menos três dias de preparação e refazimento ao peregrino das sombras para a desistência voluntária dos enigmas que o afligem na retaguarda?

Acreditamos que ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar apressadamente costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual.

Meditando na pungente situação dos recém-desencarnados, observo quão longe vai o tempo em que os mortos eram embalados com a doce frase latina: - Requiescat in pace.

Não basta agora o enterro pacífico! É imprescindível a apressada desintegração dos despojos! E se a lei não for suavizada, com as setenta e duas horas de repouso e compaixão para os desencarnados, na laje fria de algum necrotério acolhedor, resta aos mortos a esperança de que os saltitantes conselheiros da cremação de hoje sejam amanhã igualmente torrados. (5)

 

 

            Assim, caros irmãos, o espiritismo nos esclarece sobre o tema, sem nos impor sobre a decisão de sepultamento ou cremação, cabendo a cada um suas próprias escolhas segundo seu livre arbítrio, apenas nos orientando a refletir para que tudo ocorra da melhor maneira possível.

            Caso tenha interesse em aprofundar sobre o assunto, seguem algumas sugestões de leituras virtuais:

http://www.oconsolador.com.br/ano3/129/leonardo_marmo.html

http://www.oconsolador.com.br/ano4/173/oespiritismoresponde.html

http://www.oconsolador.com.br/ano5/253/editorial.html

http://www.oconsolador.com.br/ano6/293/correiomediunico.html

http://www.oconsolador.com.br/ano7/332/oespiritismoresponde.html

            Desejo a vocês queridos leitores, uma semana abençoada!

Luz e Paz!

Vanessa Rosa

([email protected])

 

 

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Aos sábados: Evangelização infantil e Escola de pais às 09:30hs; às 17h Campanha do Quilo   e às 18:30hs Mocidade espírita.

 

Referências:

1 KARDEC, Allan. O céu e o inferno.

2 https://www.oconsolador.com.br/ano9/410/oespiritismoresponde.html (acesso em 10/01/2024)

3 https://conteudoespirita.com/cremacao-na-visao-espirita/ (acesso em 09/01/2024)

4 XAVIER, F.C. Pinga Fogo. 1971.

5 XAVIER, F.C. Escultores de Almas.

Fonte da imagem: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/além-morte-fé-paraíso-deus-3265854    

 

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