• 02/03/2024
09 Janeiro 2024 às 09h28

A UM PASSO DE SER FELIZ

“Por mais que você se dedique e se supere nos obstáculos da vida, parece que sempre falta algo intangível para deixá-lo satisfeito. Você tem ideia do que é isso? ” (1). É desta forma que a articulista Liane Alves inicia uma interessante reflexão sobre o fato de nós, seres humanos, nunca estarmos plenos, muito pelo contrário, estarmos sempre INSATISFEITOS, apesar de possuirmos as coisas.

 

Luta-se por ter uma casa, consegue-se, porém, daí a alguns meses deseja-se outra, maior, mais arejada, mais bem localizada, enfim... estamos sempre a um passo de ser felizes, sem, no entanto, conseguirmos sê-lo. E de fato, é assim que acontece conosco. A questão é: por quê? Por que nunca estamos satisfeitos? Há sempre algo, por menor que seja, para nos tirar dos trilhos, apesar de, aparentemente, estar tudo bem. Mas, o que há de errado em se querer ter sempre mais?

 

Também intrigado com essas questões, o professor Allan Kardec, quis saber dos Benfeitores Espirituais, se seria mau o princípio originário das paixões, ou seja, querer, desejar mais e mais é errado? A resposta que obteve é curiosa:

 

Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O ABUSO que delas se faz é que causa o mal. (2) (grifos nossos)

 

Simples assim. O homem reencarna para progredir até chegar à perfeição. É natural a busca pelo melhor, o desejo de crescer, de obter coisas materiais para realizar progresso em várias áreas do conhecimento e da vida, e é assim que alcançamos a realização de grandes e pequenos feitos. O problema está em querer sempre mais e mais, e muito mais além do necessário, chegando a um ponto em que esses objetivos passam a nos dominar e desviar o foco do nosso objetivo principal: de sermos pessoas melhores do que fomos na última encarnação.

 

E os benfeitores, afirmam na questão seguinte, que para conhecermos o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más, devemos pensar que “elas são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar, causando prejuízo para vós mesmos, ou para outrem.” (3) (grifos nossos)

 

E quanto à falta de saciedade que a frenética obtenção de bens materiais gera em nós, podemos recorrer ao Cristo, quando no sermão do Monte, tenta acalmar os anseios dos seus discípulos: “vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (4) E se ele ainda esclarece que “o reino de Deus está dentro de vós” (5), só podemos concluir que a felicidade não está nas coisas exteriores, materiais e efêmeras, mas sim, na busca de espiritualidade. Talvez, aí esteja a chave da questão. Buscamos a felicidade fora de nós, esquecendo-nos de que ela já se encontra em nosso íntimo, em nossos potenciais divinos. Buscar o reino de Deus, manter o foco nas questões espirituais, na busca de sermos pessoas melhores, descomplicadas, respeitadoras, despreconceituosas, menos egoístas e orgulhosas.

 

Portanto, se desejamos nosso progresso espiritual, menos sofrimento e angústias, usemos nossos ideais e desejos de melhorias em todas as áreas com ponderação, alinhando nosso foco de progresso com o que realmente importa para nós, aquilo que as traças e os vermes não podem corroer.

 

Abraços fraternais!

Ana Dulce Pamplona Frade

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Referências:

  1. ALVES, Liane. Revista VIDA SIMPLES. São Paulo. SP. Ed. 117. Editora Abril. Abril 2012. Página 28.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Quarta Parte. Capítulo 1. Questão 907
  3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Quarta Parte. Capítulo 1. Questão 908
  4. Mateus, 6:32,33
  5. Lucas, 17:21

 Fonte da imagem: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/crianças-rio-tomando-banho-  1822704/    

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