• 17/06/2024
31 Outubro 2022 às 09h53

RESPEITEMOS A VIDA – ABORTO, NÃO!

Trataremos de uma questão polêmica, mas com necessidade de reflexão quanto ao aspecto espiritual que envolve o aborto.  O espiritismo orienta que a vida começa desde a concepção, instante em que o espírito é vinculado ao material genético que dará origem a seu corpo físico. Algumas horas após a fecundação, isto é, entre 4 a 6 horas, o espírito se liga pelos laços perispirituais ao corpo que vai se formar.

 

Na questão 344 de O Livro dos Espíritos, obra de Allan Kardec, os benfeitores esclarecem:

- Em que momento a alma se une ao corpo?

- A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus. (1)

 

Assim, dentro dos ensinamentos da doutrina espírita, interromper a vida do futuro bebê é crime, pois impede o espírito reencarnante de voltar à Terra para progredir. Mesmo não sendo uma reencarnação planejada, nos casos de gravidez indesejada ou por estupro, por exemplo, o espírito reencarnante poderá ter ou não ligação com os pais. Mas vale uma reflexão: se fossemos nós o espírito reencarnante, faria diferença para o nosso desejo de viver se a reencarnação foi planejada ou não?

 

Existem casos dolorosos como este, aliás bem comuns, onde o reencarne de espíritos que amam intensamente aquela mãe, se dispõem a dar forças para ajudá-la a viver, passando a ser o foco de superação daquela situação inesperada.

 

Outro fator relevante está na situação dos espíritos abortados que, de modo geral, sofrem pelo menos a frustração e a tristeza de não poderem dar continuidade ao reencontro com o seio familiar. Alguns, mais elevados, rapidamente se reequilibrarão. Outros, estacionarão em sentimentos complicados durante um determinado tempo, podendo influenciar negativamente, tornando-se obsessores daqueles que lhes tiraram a oportunidade da reencarnação.

 

Por outro lado, considera tamanha crueldade, tirar a vida de um ser indefeso, onde a vítima não tem voz para suplicar compaixão. No livro Vida e Sexo, psicografado pelo médium mineiro Chico Xavier e assinado pelo espírito Emmanuel, seu mentor, todo o capítulo 17 é dedicado a questão sobre o aborto. Texto digno de citação:

 

[…] De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida. […] Com semelhantes notas, objetivamos tão só destacar a expressão calamitosa do aborto criminoso, praticado exclusivamente pela fuga ao dever. Habitualmente - nunca sempre - somos nós mesmos quem planifica a formação da família, antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos, à maneira da casa que levantamos no mundo, com o apoio de arquitetos e técnicos distintos. Comumente chamamos a nós antigos companheiros de aventuras infelizes, programando-lhes a volta em nosso convívio, a prometer-lhes socorro e oportunidade, em que se lhes reedifique a esperança de elevação e resgate, burilamento e melhoria. Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos votos respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados, redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula a existência. Se, porém, quando instalados na Terra, anestesiamos a consciência, expulsando-os de nossa companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes podemos prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos erros de outras épocas, ontem convertidos, no Plano Espiritual, em amigos potenciais, […] fazem-se hoje - e isso ocorre bastas vezes, em todas as comunidades da Terra - inimigos recalcados que se nos entranham à vida íntima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos infundem mais sofrimento e aflição que se estivessem conosco em plena experiência física, na condição de filhos-problemas, impondo-nos trabalho e inquietação. Admitimos que seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões. (2)

 

Na questão 359, de O Livro dos Espíritos (3), Kardec indaga em quais condições o aborto poderá ser permitido, onde nos é esclarecido pela espiritualidade que, somente no caso em que a mãe corre risco de morte é preferível que seja sacrificado o ser que ainda não existe a sacrificar a vida da gestante. A lógica da interrupção da gravidez está no fato dessa mãe continuar viva e poder engravidar de novo. E pelo princípio básico da reencarnação, ela poderá ser mãe novamente do espírito que não reencarnou.

 

Finalizamos com a pergunta 880 da mesma obra: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? O de viver. Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.” (4)

 

Desejo muita luz no caminho de cada um de nós!

 

Elena Maria Garcia Rezende Leão

elenarezendeadv@gmail com

 

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Reuniões Públicas às terças feiras às 20hs e às quintas feiras às 19:30hs.

Aos sábados: Evangelização infantil e Escola de pais às 09:30hs; às 17h Campanha do Quilo e às 18:30hs Mocidade espírita.

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 344.
  2. XAVIER, Francisco C. Vida e Sexo. FEB. 2009. Páginas 33-34.
  3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 359.
  4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 880.

Fonte da imagem: Disponível em https://pixabay.com/ Acesso em 19/10/2022.

 

 

 

 

 

 

 

 

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