• 17/06/2024
18 Outubro 2022 às 10h05

Desastres coletivos: há algo de positivo neles?

A humanidade vem presenciando ao longo de sua história inúmeros acontecimentos, com consequentes desencarnes coletivos, como os tsunamis, terremotos, desabamento de terras, acidentes aéreos e para nós mineiros, tidos como os mais marcantes, os casos recentes de Brumadinho e Capitólio; além da desoladora Covid-19. E diante tudo isso, recorrentemente nos pegamos pensando sobre qual o objetivo Divino com estas tragédias? Existe alguma finalidade? Por quê Deus permite?

 

            Allan Kardec vem nos esclarecer com as obras básicas do Espiritismo, descortinando um véu e nos fazendo refletir além da materialidade e dos fatos vivenciados, uma melhor compreensão do porquê estas tragédias nos assolam. Através das leis morais, especificamente na lei de destruição, percebemos que o que nos parece algo ruim e trágico, tem um propósito maior e além, que é a progressão da humanidade de forma mais acelerada.

 

Na questão 728 de O livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos se a destruição seria uma lei da natureza, ao que eles respondem: “É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque o que chamais destruição não é senão uma transformação, que tem por objetivo a renovação e melhoramento dos seres vivos.” (1) Ou seja, tudo tem um propósito de ser e estar; como lei de causa e efeito passamos por estes flagelos como uma necessidade de evolução: intelectual e moral.

 

            É importante que pensemos e foquemos na finalidade coletiva para que sejamos capazes de avaliar os resultados que sobrevêm após estas calamidades, como o avanço na tecnologia, relações econômicas e sociais e acima de tudo, espirituais. A espiritualidade nos adverte sobre isso, através do questionamento de Kardec sobre qual o objetivo de Deus em atingir a Humanidade por meio dos flagelos destruidores:

 

Para fazê-la avançar mais depressa. Não vos dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, a cada nova existência, um novo grau de perfeição? É preciso ver o fim para lhe apreciar os resultados. Não os julgais senão sob o vosso ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que vos ocasionam. Mas esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazer alcançar, mais prontamente, uma ordem melhor de coisas e, em alguns anos, o que exigiria séculos. (2)

 

            E pensando nas finalidades destas tragédias, podemos acertar que estamos caminhando a passos lentos, mas sobretudo evoluindo no sentido de fraternidade com os nossos semelhantes, cooperando cada vez mais, dialogando mais e nos solidarizando rumo a uma sociedade melhor. Poderíamos ter evoluído no amor, mas a dureza dos nossos corações, com toda nossa vaidade, orgulho e superioridade, ainda nos obriga a unir na dor.

 

            Neste sentido, a espiritualidade consola-nos sobre a continuidade destas calamidades, dependendo apenas da nossa purificação, conforme a questão 733:

 

- A necessidade da destruição existirá sempre entre os homens sobre a Terra?

- A necessidade de destruição se enfraquece entre os homens à medida que o Espírito se sobrepõe à matéria, e é, por isso, que vedes o horror à destruição seguir o desenvolvimento intelectual e moral. (3)

 

 

            Segundo o próprio codificador da doutrina espírita, no livro A Gênese:

 

Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho. (...) Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. (4)

 

            Assim, meus irmãos, busquemos ter bons pensamentos e contribuamos para o equilíbrio do nosso íntimo, de nossa sociedade e da natureza; despertando para a transitoriedade da vida. Que possamos pensar como Humanidade, independentemente de qualquer diferença e individualidade que tenhamos. Busquemos conhecer e compreender mais as leis Divinas, para que nos comportemos de uma maneira diferente, pois só o conhecimento desperta nossa consciência e nos cobra nossa responsabilidade ante as tragédias vividas. E lembremos que só somos infelizes porque nos afastamos das leis do Pai.

 

Luz e paz a todos!

 

Iara Diniz

([email protected])

 

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Reuniões Públicas às terças feiras às 20hs e às quintas feiras às 19:30hs.

Aos sábados: Evangelização infantil e Escola de pais às 09:30hs; às 17h Campanha do Quilo e às 18:30hs Mocidade espírita.

Referências:

 

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 728.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 737.
  3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 733.
  4. KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XVIII, página 404. 20ª Edição.

Fonte da imagem: Disponível em https://pixabay.com/ Acesso em 07/10/2022.

 

 

 

 

 

 

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