• 21/07/2024
29 Agosto 2022 às 09h40

Jesus e Nicodemos

Relembremos neste dia, a passagem bíblica do encontro de Jesus e Nicodemos, nos apresentada no livro de João:

 

“Havia um homem dentre os fariseus, chamado Nicodemos, principal entre os judeus; este foi ter com Jesus à noite e disse-lhe: Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; pois ninguém pode fazer estes milagres que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Jesus respondeu-lhe: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer sendo velho? pode, porventura; entrar novamente no ventre de sua mãe e nascer? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus; O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito. É-vos necessário nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele Que é nascido do Espírito. Como pode ser isso? perguntou-lhe Nicodemos. Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que falamos o que sabemos e testificamos o que temos visto e não recebeis o nosso testemunho. Se vos tenho falado das coisas terrenas, e não me credes, como me crereis, se vos falar das celestiais? Ninguém subiu ao Céu, se não aquele que desceu do Céu, a saber, o Filho do Homem. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.”

 

Para que reflitamos sobre esta passagem, faz-se necessário que compreendamos que Nicodemos pertencia a uma classe de Judeus conhecida como Fariseus. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias, os fariseus eram cheios de um zelo ardente de proselitismo, ou seja, tinham um desejo enorme de catequisar os outros, sendo severos em seus princípios; inimigos dos inovadores, mantinham as aparências de cautelosa devoção ocultando seus costumes já ultrapassados, sendo orgulhos e, acima de tudo, com  excessiva ânsia de dominação.

 

Mas Nicodemos, que já havia despertado em seu íntimo algo diferente, sentia dentro de si um vazio, pois conhecia todas as escrituras, mas não havia praticado nenhuma obra com os seus conhecimentos. Conhecedor de todas as obras e ensinamentos de Jesus, vai a seu encontro, porém à noite, não querendo ser reconhecido em sua presença, pois que era chefe dos Fariseus.

 

Quando estabelece o diálogo com o Mestre, que já sabia da verdadeira intenção daqueles que O buscavam, responde: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Ou seja, fosse quem fosse, não alcançaria a graça do Reino de Deus se continuasse preso ao Reino do mundo, no qual prevalecem as doutrinas dos sacerdotes, as doutrinas e religiões de invenção humana. Precisava, primeiro de tudo, sair desse reinado, deixar essa obediência, pôr de lado todos esses dogmas, todos esses sacramentos, todos esses cultos, todos esses falsos ensinos e tornar-se ignorante como uma criança que nasce de novo. É este o primeiro nascimento que Jesus proclamou como condição de Salvação para todas as criaturas humanas.

 

Pelo que se depreende da nova pergunta de Nicodemos a Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” Podemos concluir que não lhe sendo conveniente nascer de novo por esta forma — abandonar sua seita, seus dogmas, seus cultos, suas honras, suas vaidades, seus preconceitos — fingiu não entender a palavra de Jesus, e então muito admirado por haver o Mestre proferido tal sentença, pergunta: “Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.”

 

Reflitamos então o termo “nascer da água”. Compreendemos que Jesus nos dizia do nascer neste mundo, com um corpo carnal; pois todos os corpos orgânicos e inorgânicos são, em última análise, produtos da água. Sem água em nosso mundo não haveria nascimento, crescimento e vida. Até a própria criança no ventre materno não dispensa a água que a envolve e lhe dá vida. É da água que vem tudo; portanto, “nascer da água" não quer dizer outra coisa, senão nascer neste mundo com corpo da natureza que é peculiar ao gênero humano.

 

Aqueles que vêm a este mundo e ficam imbuídos dessas crenças ainda arcaicas, descreem completamente da Vida Eterna, da Vida do Espírito, da Vida no Espaço, da Imortalidade, como aconteceu com Nicodemos que não compreendia a Palavra do Mestre.

 

Passemos agora à segunda condição de salvamento, segundo nosso Mestre Jesus: “nascer do Espírito". Como atrás ficou explicado, há necessidade de nascer da água, é preciso entrar na vida material, na vida carnal. Mas como esta vida não é bastante para efetuarmos a nossa ascensão para a felicidade, Deus nos facultou, como premissa da Vida Eterna, a Vida Espiritual, a Vida Moral, porque o homem não vive só do corpo, não vive só de pão. Esta Vida Espiritual não é uma coisa visível, pois afeta somente o nosso Eu íntimo, é a vida interior que sentimos, proclamada por todos os povos, por todos os códigos de Moral e esboçada maravilhosamente por Jesus Cristo no seu Evangelho. É nesta vida que se manifestam os prazeres e os sofrimentos. De um lado: as virtudes, a santidade, a paz de consciência, a alegria de coração; de outro: as paixões más, o remorso, a tristeza.

 

Dizendo Jesus: “forçoso é nascer do Espírito", chamou a atenção de Nicodemos para esta Vida interior, a fim de que ele ficasse sabendo que todos os que quiserem entrar no Reino de Deus precisam nascer desse Espírito, viver nesse Espírito; assim como os que entram na vida carnal, nascem da água e vivem da água.

 

Quando visitou o Mestre, Nicodemos já havia nascido da água, mas não havia nascido do Espírito; ainda não percebia que o homem não é somente carne, é também Espírito; e assim como o homem tem corpo material e espiritual, existe também Mundo Material e Mundo Espiritual. Sendo assim, permanecia admirado diante os ensinamentos do Nazareno, pois não compreendia a Doutrina Nova que Ele pregava; afirmando o Mestre: “Não te maravilhes de eu te dizer, necessário vos é nascer de novo”, nos ensinando os preceitos da reencarnação.

 

Se nós homens carregássemos dentro de nós a certeza da imortalidade da alma, de que tudo que semeamos teremos de colher, de que é preciso reformar-se interiormente arrancando de dentro de nós o orgulho e o egoísmo, certamente outras atitudes tomaríamos em nossa existência.

 

LUZ E PAZ!!!

 

Lair Caetano

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Referências:

  1. João, III, 1-15.
  2. SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus. Capítulo 96.  

Fonte da imagem: Disponível em Acesso em 28/08/2022.

 

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