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Por que Arcos está sem água?

Foto: Rio São Domingos- Rede Social

Infelizmente a resposta para essa pergunta não é tão simples. É mais complexa do que conseguimos perceber, ainda mais quando abrimos a torneira e a água não sai.  Alguma relação com gestão, com investimento, com desperdício, com consciência dos moradores? Tudo isso junto e misturado.

Não podemos falar sobre o colapso do sistema sem dizer que a escassez de água também compromete a qualidade da água. E para se ter uma ideia, o abastecimento público, ou seja, a água para consumo utiliza somente 8% da água doce, enquanto o setor do agronegócio e as indústrias (poços artesianos e irrigação) consomem volumes absurdamente elevados. Qualquer um que lê esse texto com uma rápida pesquisa na internet pode achar esses valores consumidos por cada um.

Na última disputa para administração do município, como nunca antes, a falta d'água fez parte do debate eleitoral. Naquele momento, a situação também crítica foi vista com falta de investimento e até usada como estratégia junto ao órgão estadual que tem a outorga do município para fazer gestão da água em Arcos. A eleição acabou e a realidade voltou. Como se diz em futebol, treino é treino, jogo é jogo. E mais uma vez, continua sendo uma questão de omissão dos poderes públicos, em todas as esferas, apesar da Lei de Recursos Hídricos (Lei 9.433) estabelecer que em situações de escassez a prioridade é o abastecimento público. 

Nesse sentido, não podemos deixar de falar dos outros usos dos recursos hídricos. Enquanto a população é orientada a economizar cada vez mais (que é correto) a agricultura e a indústria continuam consumindo água (nobre) dos nossos mananciais superficiais e subterrâneos. Esses setores não diminuem o consumo para não prejudicar sua produção e seu lucro. O que significa é que a gestão da água como um todo deve ser transparente, inclusive dizendo o percentual de gasto de todos os setores. E isso significa, que numa situação o mais importante é a qualidade da água para consumo humano.

E aqui temos que ser objetivos, em apenas um ano, ninguém consegue obter resultados rápidos quando se trata de investimentos públicos, porém, fazer campanha contra o desperdício e de conscientização não depende de obras e muito investimentos. E a transparência dos números e da aplicação de recursos no setor é ainda mais simples. A impressão que se tem ao ver o desencontro de informações e as dúvidas dos moradores é que gestão da água no município é que não se conhece a realidade da situação e dos projetos que impulsionaram a mudança dessa realidade.  No feriado de sete setembro, duas situações me chamaram a atenção: a moradora diz que acorda às 4 horas da manhã para lavar o passeio e às 23h30 assisto uma senhora idosa lavando o passeio e a varanda com a pouca água que chegava na torneira, “antes que acabe”. Naquele momento, no mesmo bairro, na casa dos meus pais não havia água para fazer higiene pessoal.

A falta d'água é uma realidade e a união de toda a comunidade em torno desse grave problema deve evitar o desperdício, nas casas, economizar na indústria, no comércio, na agricultura enquanto as medidas para ampliação d'água não chegam. E com transparência das ações quem sabe o questionamento mude e se pergunte no futuro: o que a cidade de Arcos fez para conseguir manter a produção e o consumo sustentável de água?

COLUNISTA Cida Rezende

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