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Centro Oeste / Arcos

Cães de rua ou abandonados: O que podemos fazer para diminuir esse problema?

Há tempos, na cidade de Arcos, se debate sobre os ‘cães de rua ou abandonados’ e ‘o que se pode fazer para diminuir esse problema’. Dividiremos o assunto em várias edições, devido ao fato de ser amplo e requerer cautela, por envolver opiniões diversas e nuances que merecem ser debatidas.

Para iniciar uma conversa, e não ignorando o que aconteceu antes disso, citamos aqui, como marco de discussão, o ano de 2014, uma reunião acontecida na sede do Ministério Público de Arcos, que reunira a Promotora de Justiça da 2ª Vara da Comarca de Arcos Drª Juliana Amaral de Mendonça , o então prefeito Roberto Alves, presidente da Câmara, Secretários Municipais daquela gestão, Coordenadora do Setor de Vacinação Municipal, diretora de departamento da Fundação Municipal de Saúde, e representante da Ong Protetora dos Animais para tratar do assunto que já se agravava a níveis estratosféricos no município – o grande número de cães abandonados pelas ruas da cidade, e os problemas gerados em função desse abandono.

Também, naquela ocasião, foram convidados a participar da reunião os representantes da Associação Regional de Proteção Animal – ARPA II, e a Médica Veterinária da Prefeitura Municipal de Formiga, Drª Fernanda Pinheiro Lima, que palestrou para os demais sobre o trabalho que a CODEVIDA (Centro de Defesa à Vida Animal), juntamente com os seus parceiros, fazia no município vizinho.

Dessa reunião se proporia a implantação de um Centro de Defesa à Vida Animal em Arcos, que propiciaria atender a demanda da população quanto ao atendimento de animais atropelados, animais doentes em vias públicas, vítimas de maus tratos, e retirada da rua de animais depauperados e animais mordedores viciosos. O trabalho ainda estimulava o recolhimento, exames, tratamento, internamento por prazo determinado, eutanásia para casos de animais em estágio de saúde gravemente comprometidos, com prognóstico ruim e que constituíssem ameaça à saúde pública.

TAC

No Brasil são poucos os municípios que possuem uma estrutura administrativa e técnica para atender o problema de animais soltos em vias públicas, notadamente cães. Diariamente são inúmeras as reclamações que envolvem a população canina. São reclamações que vão desde o incômodo causado por barulho, maus tratos, manutenção dos animais em ambientes que exalam mau cheiro, até denúncias de ataques de cães, como também, cães mortos ou feridos nas vias públicas.

Conversa vai, conversa vinha, o Ministério Público de Arcos formalizaria um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a Administração Municipal, para a implantação de uma política municipal de controle populacional que assegurasse uma promoção da saúde tendo como prioridade a ética e o bem-estar animal. Muito comentado na reunião foi que seria preciso a ajuda da comunidade e um amplo trabalho de conscientização.

Pois bem. Com tantas mudanças na estrutura política da cidade, ocorridas em agosto daquele ano, pelo que parece muita coisa não foi para a frente, nem mesmo o bom projeto ‘Cão Amigo’, lançado no ano anterior, em 2013, para solucionar os problemas, a fim de combater a procriação desenfreada, e que até chegou a alcançar algumas boas metas de castração. A previsão desse projeto era a realização de 20 procedimentos de castração mensal.

Momento atual

O ano é 2017, e o assunto novamente ganhou pauta em reuniões acontecidas nas dependências da Câmara Municipal de Arcos, envolvendo membros do Legislativo e Executivo, além de protetores dos cães de rua de Arcos, que buscam cuidados e recursos para os animais abandonados.

Fato é que em Arcos, as ações para resolver o problema não avançam. Há muitas correntes que sugerem solução, mas esbarram em burocracias, no contraditório, vaidade, ou seja lá o que é, e não fecham o ciclo. Mas há uma torcida muito grande para que esse desfecho seja positivo e os animais sejam preservados.

Há que se entender, que é um problema de resolução em longo prazo e, infelizmente, não se tem muito com quem contar. Essa é a verdade. Quem gosta e respeita os animais, deve divulgar as medidas de controle de natalidade e de posse consciente, pois quem não gosta de animais, normalmente, não enxerga esse problema e inclusive trabalha contra o trabalho de quem quer fazer.

Alguns portais na internet, como o pet care, por exemplo, fazem um trabalho muito bacana, que busca conscientizar as pessoas para a posse responsável e para o controle de natalidade dos cães e gatos de rua, e isso vale a pena ser reproduzido.

Em Arcos, também existem movimentos desse tipo, como o Gaava (Grupo de Apoio Voluntário aos Animais Abandonados), o Portal Animal Arcos, a Sociedade Amigos de Arcos (SAARCOS), e outros que incentivam essa adoção. Trabalho elogiável.

Mas, mesmo diante de um gesto tão nobre como a adoção, alguns cuidados devem ser tomados, por exemplo:

Devemos evitar a compra e adoção de cães e gatos por impulso ou modismos, sabendo que esses animais viverão em torno de 12 a 18 anos e que serão sempre dependentes de nossos cuidados.

Evitar sempre de presentear as pessoas com filhotes ou animais de qualquer espécie, pois esse “presente” pode, no futuro, se tornar um problema e seguir para a fila de animais abandonados ou que sofrem maus tratos.

Nunca presentear crianças, e mesmo adultos, com animais de estimação, a não ser que seja um presente de comum acordo.

Se for adotar um animal, dê preferência para cães e gatos abandonados ou provenientes de instituições que cuidam desses animais.

Castrar todo animal, macho ou fêmea, que não sejam para fins específicos de reprodução.

Fazer as vacinas e cuidados recomendados pelos veterinários, além das visitas periódicas, sempre procurando bem-estar e qualidade de vida e respeitando as particularidades de cada espécie, seja no espaço recomendado para suas atividades, alimentação e manejo e até níveis de socialização e convivência com outras espécies.

Nunca abandonar ou desistir desse animal, mesmo que ele não corresponda a suas expectativas. Por isso, toda adoção tem que ser estudada e planejada nos mínimos detalhes com auxílio de pessoal qualificado e que entende do assunto.

Participe de campanhas de conscientização e de ajuda às ONGs e instituições que acolhem e cuidam desses animais abandonados. Todos, sem exceção, precisam de nossa ajuda e de nossa divulgação desse trabalho e de suas causas.

Nunca empurrar o problema com a “barriga”. Ao retirar um animal de rua ou ao acolher um animal doente ou abandonado, lembre-se de que você, nesse momento, se torna responsável por ele e por seus cuidados. Infelizmente, não existem instituições públicas e gratuitas que fazem o trabalho de acolher e cuidar desses animais. O Médico Veterinário não tem como acolher esses animais em suas clínicas e as ONGs estão trabalhando acima do seu limite, quer seja de espaço quer seja financeiro.

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA...

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